O prefeito Edilson Piaia inicia 2026 entrando no segundo ano de seu mandato com um discurso mais firme, planejamento estruturado e promessas de transformações profundas para Campo Novo do Parecis. No entanto, nos bastidores do poder, a principal dúvida que se impõe não é sobre o que o Executivo pretende fazer, mas se o município terá, de fato, liberdade política para avançar.
Na área da saúde, a gestão municipal aposta alto e sinaliza uma ruptura com modelos anteriores. A troca do comando do Hospital Municipal, prevista para o dia 10 de janeiro de 2026, com a entrada de uma empresa considerada entre as mais renomadas do Estado, marca um divisor de águas. Soma-se a isso a reforma e ampliação do hospital já em andamento, o projeto de construção de uma nova Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e a reestruturação das unidades básicas de saúde. Trata-se de um pacote robusto, necessário e aguardado há anos pela população, que conviveu com gargalos históricos no atendimento público.
Na educação, o cenário também aponta para avanços. Obras de novas escolas estão em execução, enquanto novos investimentos são anunciados com foco na ampliação da rede e na melhoria da estrutura existente. Já na infraestrutura, a própria gestão reconhece falhas acumuladas ao longo do tempo, mapeia problemas crônicos e promete ações mais efetivas assim que o período chuvoso permitir a retomada plena das obras. Até aqui, o discurso é técnico, planejado e alinhado às demandas reais da cidade.
Um dos diferenciais da gestão Piaia está no modelo administrativo adotado: maior controle financeiro, definição clara de prioridades e racionalização dos gastos públicos. A proposta é gastar melhor, com critério, planejamento e justificativa técnica. Em tese, o cenário seria propício para destravar investimentos e acelerar entregas.
O principal entrave, porém, não está no Executivo. O nó político se concentra no Legislativo. Parte da Câmara Municipal tem sido apontada como resistente à tramitação de projetos considerados estratégicos para o município. O episódio mais emblemático ocorreu no fim de 2025, com a não votação da Lei Tributária Municipal. Avaliações técnicas indicam que a decisão pode gerar prejuízos milionários ao longo de décadas, comprometendo a capacidade de investimento e o equilíbrio fiscal do município. Não se trata de divergência ideológica, mas de responsabilidade institucional.
Em 2026, o dilema é claro: Campo Novo do Parecis terá um Executivo organizado tentando avançar enquanto setores do Legislativo impõem travas políticas ao desenvolvimento, ou haverá maturidade suficiente para que os interesses da população se sobreponham a disputas, vaidades e cálculos eleitorais?
O município não pode ser refém de impasses políticos. O tempo não espera, os problemas não pausam e a população cobra resultados. A história será implacável ao registrar quem trabalhou para destravar o futuro e quem escolheu atrasá-lo.
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