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Retaliação à imprensa escancara risco à democracia em Campo Novo do Parecis

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A Câmara Municipal de Vereadores de Campo Novo do Parecis retirou integralmente os recursos remanescentes do Gabinete do Governo Municipal que, historicamente, eram destinados à publicidade institucional e à contratação de mídias locais. A decisão, tomada no âmbito da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, gerou forte indignação entre profissionais da comunicação e acendeu um grave alerta sobre uma possível retaliação direta à imprensa livre no município.


Nos bastidores políticos, a leitura é clara: a medida seria uma resposta às manchetes, reportagens e coberturas jornalísticas realizadas ao longo de 2025, que contrariaram interesses de determinados vereadores. Para os veículos de comunicação locais, trata-se de uma ação deliberada para asfixiar financeiramente a imprensa independente, restringir o fluxo de informações e, sobretudo, tentar silenciar vozes críticas que não se submetem a narrativas convenientes.


A gravidade do ato não pode ser relativizada. Ao atingir diretamente os meios de comunicação, a decisão ultrapassa o campo administrativo e avança perigosamente sobre princípios constitucionais, como o direito à informação, a liberdade de imprensa e a transparência dos atos públicos. Em vez de fortalecer o debate democrático, o Legislativo opta por um caminho que sugere pressão política, intimidação institucional e tentativa de controle indireto da narrativa pública.


Profissionais da comunicação avaliam que a medida expõe uma realidade incômoda: por anos, parte do Legislativo não estava habituada a ser questionada, confrontada ou fiscalizada de forma sistemática. Agora, diante de uma imprensa que atua com independência, responsabilidade e compromisso com a verdade noticiando fatos do Executivo e do Legislativo sem filtros políticos, surge uma reação que causa profunda preocupação.


Em diálogo com o Poder Executivo, um secretário municipal confirmou que a gestão avalia alternativas para administrar o impasse e minimizar os impactos da decisão. O reconhecimento é evidente: o Executivo depende dos veículos de comunicação para levar à população informações de interesse público, campanhas institucionais, serviços essenciais e ações governamentais que precisam, por dever legal e moral, ser amplamente divulgadas.


A reação da imprensa foi imediata e contundente. Um dos proprietários de um site de notícias do município foi categórico ao comentar a decisão do Legislativo:


“É uma vergonha. Trata-se de uma retaliação explícita e de uma tentativa clara de nos silenciar. Mas não existe recurso financeiro capaz de comprar dignidade, verdade e jornalismo sério. A informação não se cala. Jamais alguém nos silenciará.”


O episódio, longe de enfraquecer a imprensa, evidencia justamente o contrário: se há incômodo, é porque o jornalismo está cumprindo seu papel. O desconforto político revela que a fiscalização passou a incomodar, e isso, em uma democracia, é não apenas saudável, mas indispensável.


Diante desse cenário, o alerta é inevitável: uma Câmara que busca restringir a imprensa precisa ser ainda mais vigiada pela sociedade. A tentativa de esvaziamento financeiro dos veículos de comunicação sinaliza riscos maiores, como a manipulação da informação, o enfraquecimento do controle social e a tentativa de exercer domínio político sobre o Poder Executivo.


A liberdade de imprensa não é concessão de governos nem favor de parlamentos. É um pilar inegociável da democracia. Qualquer ação que vise sufocá-la não atinge apenas jornalistas ou empresas de comunicação atinge diretamente o cidadão, que tem o direito constitucional de ser informado, de fiscalizar e de cobrar aqueles que ocupam cargos públicos.

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