A Polícia Civil do Estado de Mato Grosso deu início a um projeto-piloto voltado ao aperfeiçoamento das investigações de crimes contra a vida. Intitulada “Estudo de Caso”, a iniciativa foi lançada na sexta-feira (13) e reuniu 55 policiais civis, entre integrantes da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), do Núcleo de Pessoas Desaparecidas e das delegacias distritais de Cuiabá.
O projeto foi idealizado por três investigadores da DHPP e tem como principal objetivo analisar investigações já concluídas, identificar acertos e eventuais falhas, além de sistematizar métodos que possam tornar o trabalho ainda mais eficiente. A proposta é transformar experiências práticas em conhecimento compartilhado, fortalecendo a atuação das equipes em casos simples e também nos mais complexos.
Segundo os idealizadores, a troca de experiências permite aperfeiçoar técnicas investigativas, encurtar caminhos e evitar erros já identificados em outras apurações. A metodologia prevê a apresentação detalhada de casos reais, com análise de diligências, perícias, oitivas e estratégias adotadas até a conclusão do inquérito.
Caso analisado

O primeiro estudo apresentado abordou o homicídio da advogada Cristiane Castrillon da Fonseca Tirloni, ocorrido em agosto de 2023, em Cuiabá. O crime teve grande repercussão na época.
A vítima foi encontrada dentro do próprio veículo no Parque das Águas. As investigações apontaram que o crime aconteceu em uma residência no bairro Santa Amália. Mesmo sem informações iniciais sobre o local exato do homicídio ou a autoria, a equipe conseguiu identificar o suspeito poucas horas depois, o que resultou na prisão em flagrante.
Durante a apuração, imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para reconstituir os últimos passos da vítima. Na residência do investigado, perícias identificaram vestígios que confirmaram a dinâmica do crime. O suspeito apresentou versões contraditórias ao longo dos depoimentos.
Conforme apurado à época, após o homicídio, o autor teria tentado alterar a cena do crime antes de abandonar o corpo. Ele foi indiciado por homicídio qualificado — incluindo feminicídio — além de outros crimes relacionados à tentativa de ocultação dos fatos.
Em setembro de 2023, o acusado foi condenado pelo Tribunal do Júri a 37 anos de prisão.
Aprimoramento contínuo
De acordo com a direção da unidade especializada, a proposta do projeto é justamente detalhar investigações bem-sucedidas para que as técnicas utilizadas possam ser replicadas e aprimoradas. A iniciativa busca fortalecer a qualidade das apurações, garantir maior eficiência na coleta de provas e assegurar a responsabilização dos autores de crimes.
A expectativa é que novos encontros sejam realizados ao longo do ano, consolidando o “Estudo de Caso” como ferramenta permanente de capacitação interna e melhoria das investigações de homicídios na capital.







