Evandro havia sido capturado durante a terceira fase da Operação Pentágono, uma grande ofensiva deflagrada pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) da Polícia Civil. De acordo com a linha de investigação, ele era apontado como integrante do núcleo de apoio logístico da organização criminosa no estado do Tocantins, sendo suspeito de ter abrigado e recebido os executores do assalto na cidade de Palmas logo após a fuga de Mato Grosso.
Ao analisar o pedido de liberdade, o relator do caso no TJMT, desembargador Gilberto Giraldelli, reconheceu a extrema gravidade dos crimes apurados, mas ponderou que a manutenção da prisão preventiva não encontrava sustentação em elements fáticos e atuais.
Falta de Contemporaneidade e Provas Indiretas
Na fundamentação de seu voto, o magistrado chamou a atenção para o longo intervalo de aproximadamente três anos decorrido entre a data do crime (abril de 2023) e a definitiva prisão do investigado (realizada apenas em 2026). Para o Judiciário, não há registros contemporâneos de que Evandro tenha se envolvido em novos delitos, tentado fugir, ameaçado testemunhas ou gerado qualquer risco real à ordem pública ou ao andamento do processo.
O desembargador também pontuou que os indícios reunidos contra o suspeito até o momento são considerados “circunstanciais e indiretos”. A acusação baseava-se em:
- Uma fotografia onde o suspeito aparece ao fundo de uma imagem registrada por um dos executores do roubo;
- A localização de veículos usados pela quadrilha nas proximidades de sua residência em Palmas;
- Uma transferência bancária no valor de R$ 2 mil recebida por ele em abril de 2023, além de movimentações financeiras sinalizadas por relatórios de inteligência.
Com a decisão, a prisão preventiva foi revogada e substituída por medidas cautelares alternativas, cujos termos e restrições diárias serão definidos pelo juízo da 3ª Vara Criminal da Comarca de Barra do Garças.
O Maior Ataque da História do Estado
O assalto à base da Brink’s em Confresa, registrado no dia 9 de abril de 2023, é classificado pelas autoridades como a ação mais violenta e coordenada do “novo cangaço” já vista em solo mato-grossense. Naquela data, um bando composto por cerca de 20 criminosos fortemente armados sitiou o município. O grupo cercou e incendiou o quartel da Polícia Militar, tomou policiais como reféns e espalhou o terror destruindo prédios públicos e carros para bloquear as vias.
O alvo principal era o cofre da transportadora de valores, de onde planejavam subtrair cerca de R$ 30 milhões. Embora tenham utilizado explosivos de alto poder de destruição, os criminosos não conseguiram romper a blindagem do cofre principal e fugiram sem levar o dinheiro.
A complexa rede criminosa envolveu pelo menos 50 pessoas divididas em setores de financiamento, execução e fuga. Logo após o atentado, uma força-tarefa interestadual deflagrou a histórica “Operação Canguçu”, que resultou na morte de 18 suspeitos em confrontos armados na região de Pium, no Tocantins. Os desdobramentos seguem sob a tutela da Operação Pentágono da Polícia Civil.
Plantão CNP – A notícia com agilidade e compromisso com a verdade. Fonte: Redação Plantão CNP / Com informações de Nortão MT.







