Um vídeo que circula nas redes sociais registra o intenso barulho provocado por araras mantidas em uma residência no condomínio Pérola Rara, em Cuiabá. As imagens foram feitas por um morador e mostram as aves grasnando de forma contínua, especialmente em períodos apontados pelos vizinhos como os de maior incômodo.
Segundo informações obtidas pela reportagem, as araras costumavam fazer mais barulho no fim do dia e nas primeiras horas da manhã. A situação, conforme relatos de moradores, teria sido alvo de reclamações há pelo menos três anos.
O episódio ganhou maior repercussão após uma discussão ocorrida no domingo (23), envolvendo o advogado Reinaldo Américo Ortigara, o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Bruno Abreu, e a esposa dele, a advogada Silvana Alves de Souza.
De acordo com o boletim de ocorrência e mensagens anexadas ao procedimento, moradores debatiam o problema causado pelas aves em um grupo de WhatsApp do condomínio. Reinaldo, que não seria morador do residencial, teria entrado na conversa e se manifestado sobre as reclamações.
Ainda segundo o registro policial, o advogado teria condicionado a solução do problema das araras à resolução de reclamações envolvendo os cachorros de Silvana.
A discussão teria evoluído para uma troca de acusações e ofensas. Conforme relatado no boletim, Reinaldo teria utilizado termos ofensivos contra a advogada, além de publicar uma fotografia de fezes e questionar se ela seria responsável pelo material encontrado no local.
O advogado também teria encaminhado imagens da placa do veículo e da residência de Silvana. Após ela afirmar que adotaria providências, ele teria respondido de maneira ofensiva.
O delegado Bruno Abreu também teria sido citado na discussão. Segundo o registro policial, Reinaldo teria feito um convite para que os dois brigassem, afirmando que bastaria marcar “o dia e a hora”.
As mensagens anexadas ao procedimento também apontam que o advogado teria enviado fotografias antigas de fezes atribuídas, segundo a comunicante, a cachorros que já haviam morrido. Ao ser informado sobre a situação, ele teria respondido com deboche.
A postura do advogado teria provocado críticas de outros integrantes do grupo. Na sequência, ele foi retirado da conversa pelo administrador do condomínio.
Medidas protetivas
Após o episódio, Silvana registrou boletim de ocorrência e solicitou medidas protetivas contra Reinaldo. A Justiça determinou que ele mantenha distância mínima de um quilômetro da advogada.
A decisão também proibiu o advogado de entrar no condomínio onde Silvana mora e de manter contato com ela, familiares e testemunhas relacionadas ao caso.
A juíza Henriqueta, do Núcleo de Garantias de Cuiabá, que também reside no condomínio, teria sido ofendida durante o episódio e igualmente solicitou medidas protetivas.
O caso segue em apuração. As medidas determinadas pela Justiça têm como objetivo evitar novos contatos e possíveis episódios de conflito entre os envolvidos.
Histórico de ocorrências
Segundo informações mencionadas na decisão judicial, Reinaldo já havia se envolvido em outras ocorrências.
Em 2019, ele foi preso em flagrante após ser acusado de ameaçar uma mulher com uma arma dentro de um shopping em Várzea Grande. O caso envolveu investigação por ameaça, lesão corporal e porte ilegal de arma de fogo.
Em 2024, o advogado também teria sido denunciado à Corregedoria da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso após ataques de cunho machista em um grupobb de WhatsApp contra advogadas.
As acusações e relatos citados nesta reportagem são objeto de apuração pelas autoridades competentes, e a versão dos envolvidos deve ser considerada no decorrer do procedimento.






