Candidato ao Governo critica adversário por episódio envolvendo ex-esposa; ao mesmo tempo, mantém proximidade política com presidente do CRECI-MT, órgão envolvido em denúncias e investigações sobre assédio
O candidato ao Governo de Mato Grosso Wellington Fagundes (PL) tem insistido durante a campanha eleitoral no episódio ocorrido em 2021 envolvendo o governador Otaviano Pivetta e sua então esposa. O caso, porém, terminou com o arquivamento do inquérito em 2022, sem oferecimento de denúncia criminal.
A própria Justiça Eleitoral determinou, neste mês de setembro, que Wellington não apresente como fato comprovado a afirmação de que Pivetta “agrediu a mulher” ou é “agressor de mulher”. Em outra decisão, o TRE-MT concedeu direito de resposta a Pivetta por declarações de Wellington sobre o episódio.






O debate, entretanto, abre outro questionamento político: o mesmo rigor adotado para cobrar Pivetta é aplicado aos aliados de Wellington?
Em outubro de 2025, Wellington declarou publicamente apoio a Claudecir Contreira, presidente do CRECI-MT, para uma possível candidatura a deputado federal. Na ocasião, chegou a afirmar que seu apoio era “incondicional”. Contreira posteriormente desistiu da pré-candidatura, em julho de 2026, e anunciou apoio a Wellington para o Governo.
A proximidade continuou neste ano. Em discurso oficial no Senado, em 4 de setembro, Wellington citou Contreira nominalmente ao homenagear os corretores de Mato Grosso.
O problema é que o CRECI-MT já está há anos no centro de apurações relacionadas a assédio. O próprio Ministério Público do Trabalho confirmou que o Conselho assinou, em 2022, um TAC para prevenção e enfrentamento ao assédio moral e sexual e que novas denúncias passaram a ser investigadas. Uma delas envolve relato de possível assédio sexual, com encaminhamento também para apuração na esfera penal.
Reportagem do Primeira Página informou ainda que funcionários e ex-funcionários denunciaram práticas abusivas e possível omissão diante de um caso de assédio sexual, com apurações atribuídas ao MPT e à Polícia Federal. O CRECI-MT afirmou que instaurou procedimento administrativo, negou tolerar qualquer tipo de assédio e disse que os fatos seriam investigados.
Diante disso, a cobrança que surge no debate eleitoral é objetiva: se a defesa das mulheres é uma bandeira central da campanha de Wellington Fagundes, quais critérios ele adota quando acusa um adversário e quando mantém relações políticas com aliados cercados por denúncias e investigações envolvendo o mesmo tema?
É uma pergunta que cabe ao candidato responder — e ao eleitor avaliar.






