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Casal de idosos paga R$ 155 mil por SUV e denuncia golpe de vendedor em VG

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Um casal de idosos aposentados de Cuiabá afirma ter sido vítima de um golpe cometido pelo vendedor D.A.P.T. após pagar R$ 154.990 por um SUV GAC GS4 Premium zero quilômetro e não receber o veículo nem o dinheiro de volta. A negociação começou em 6 de julho, dentro da concessionária GAC da Avenida da FEB, em Várzea Grande, administrada pela Gemini Motors Ltda., do Grupo Canopus. Segundo os consumidores, clientes do grupo desde 2018, o automóvel seria adquirido pelo programa de venda direta para pessoas com deficiência, pois um dos compradores, identificado como R.O., é PCD. O vendedor recebeu os documentos por um WhatsApp utilizado no atendimento comercial e encaminhou um link para pagamento do sinal de R$ 1 mil, depositado diretamente à Gemini Motors, que reconheceu o recebimento. O caso é investigado pela Polícia Civil por suspeita de estelionato.

Em 18 de agosto, conforme os documentos apresentados pelos compradores, D.A.P.T. informou que o veículo havia sido faturado e pediu a quitação dos R$ 153.990 restantes. O casal afirma ter usado economias da família e recursos da venda do carro anterior para fazer o pagamento. Depois, o vendedor teria informado que o SUV havia sido embarcado em São Paulo e chegaria entre 3 e 4 de setembro, mas passou a marcar e desmarcar encontros, alegando realizar vendas externas. Em 4 de setembro, disse que estava a caminho da loja. Ao chegarem à concessionária, os compradores descobriram que ele havia saído de férias e não retornado ao trabalho. Segundo a documentação, a empresa enviou um telegrama relacionado ao vínculo empregatício, sob pena de caracterização de abandono de emprego. O casal afirma não ter sido avisado dessa situação. Conforme o boletim de ocorrência, o gerente regional informou que não havia pedido do automóvel no sistema, e o vendedor deixou de responder às mensagens e estava com o telefone desligado.

Em depoimento à Polícia Civil, prestado em 14 de setembro e juntado ao processo, o gerente regional relatou que a empresa já tinha conhecimento de outras reclamações envolvendo D.A.P.T., incluindo pagamentos feitos por clientes diretamente ao vendedor. Segundo ele, um dos episódios foi resolvido internamente com a entrega de um veículo seminovo. Outro, iniciado em abril, resultou no processo nº 1032007-34.2026.8.11.0002, que tramita na 2ª Vara Cível de Várzea Grande contra a Gemini Motors e o vendedor. O casal encaminhou notificações extrajudiciais ao gerente, pediu a entrega do SUV ou a restituição dos valores e levou a reclamação ao Procon-MT, mas afirma não ter obtido solução. No registro policial, os compradores disseram que confiaram na marca, no grupo e na loja porque o vendedor estava uniformizado, atendia dentro da concessionária e o sinal foi pago à empresa. Também relataram que R.O. passou a precisar de acompanhamento médico após o episódio.

Sem acordo, os aposentados ingressaram com uma ação na 4ª Vara Cível de Cuiabá, na qual pedem a entrega do veículo ou a devolução integral dos R$ 154.990, além de indenização por danos morais. Entre os argumentos está a responsabilidade da empresa pelos atos de seus prepostos, prevista no artigo 34 do Código de Defesa do Consumidor. A reportagem teve acesso ao boletim de ocorrência, aos documentos da negociação e ao processo judicial, que ainda aguarda decisão definitiva. As acusações dos consumidores e as declarações do gerente serão analisadas pelas autoridades, e a investigação não representa comprovação judicial de estelionato nem definição da responsabilidade da empresa ou do vendedor. O espaço permanece aberto para manifestação da Gemini Motors/Grupo Canopus e da defesa de D.A.P.T.

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