A Assembleia Legislativa de Mato Grosso poderá se tornar palco de uma das discussões mais explosivas do cenário político estadual em 2026. O deputado estadual Chico Guarnieri anunciou que irá protocolar um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar um repasse de R$ 20 milhões destinado ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), recurso encaminhado por meio de emenda parlamentar do senador Wellington Fagundes.
O anúncio ocorre em meio ao crescente embate entre o parlamentar e o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, que nas últimas semanas intensificou ações de fiscalização em obras e rodovias estaduais, promovendo vistorias presenciais e ampla divulgação dos trabalhos do órgão nas redes sociais e na imprensa.
Segundo Guarnieri, a CPI terá como foco esclarecer a destinação dos recursos federais encaminhados ao Tribunal de Contas, bem como verificar a aplicação do dinheiro público e os resultados efetivamente entregues à população mato-grossense.
Orçamento bilionário e questionamentos
Durante o pronunciamento, o deputado destacou que o TCE-MT possui um dos maiores orçamentos entre os tribunais de contas do país, ultrapassando a marca de R$ 1 bilhão por ano. Na avaliação do parlamentar, o recebimento de mais R$ 20 milhões em recursos federais levanta questionamentos que precisam ser respondidos de forma transparente à sociedade.
Guarnieri argumenta que a população tem o direito de saber como os recursos foram empregados, quais projetos foram executados e quais benefícios concretos foram gerados para o Estado.
Outro ponto que deverá entrar no radar da investigação é a evolução dos investimentos em publicidade institucional realizados pelo Tribunal de Contas. O parlamentar afirmou que houve aumento significativo nos valores destinados à divulgação das ações do órgão, defendendo que esses gastos também sejam analisados dentro do processo de fiscalização.
Embate institucional
A proposta de CPI surge em um momento de forte desgaste entre o deputado e a presidência do Tribunal de Contas. Nas últimas semanas, o debate público envolvendo a atuação do órgão fiscalizador ganhou espaço nas redes sociais, na imprensa e nos bastidores políticos de Mato Grosso.
Enquanto Sérgio Ricardo defende que as fiscalizações fazem parte da missão constitucional do Tribunal de Contas e representam uma aproximação do órgão com a população, Guarnieri sustenta que a Assembleia tem a obrigação de exercer seu papel fiscalizador sobre qualquer instituição que administre recursos públicos.
O parlamentar afirmou que nenhum poder ou autoridade pode estar imune ao controle e à fiscalização quando há dinheiro público envolvido.
Próximos passos
Para que a CPI seja instalada, será necessário o apoio de outros deputados estaduais e o cumprimento dos requisitos regimentais previstos pela Assembleia Legislativa.
Caso a comissão seja criada, deverão ser solicitados documentos, contratos, prestações de contas e informações relacionadas à aplicação dos R$ 20 milhões. Também poderão ser convocados gestores, técnicos e autoridades para prestar esclarecimentos.
A iniciativa promete ampliar ainda mais a tensão política em Mato Grosso e pode abrir uma nova frente de debates sobre transparência, controle de gastos públicos, atuação dos órgãos de fiscalização e os limites da participação institucional em um período pré-eleitoral.
Com o anúncio da CPI, o embate que antes se concentrava no campo das declarações públicas passa agora a caminhar para uma possível investigação formal dentro do Parlamento estadual, colocando sob os holofotes um dos temas mais sensíveis da política mato-grossense neste momento.







