Avanços da medicina regenerativa devolvem movimentos a pacientes com lesão medular
A medicina regenerativa vive um momento decisivo com o avanço de terapias que vêm transformando o prognóstico de pessoas com lesões na medula espinhal. O que antes era considerado um quadro irreversível começa a dar lugar a novas possibilidades de recuperação de movimentos, sensibilidade e autonomia.
Pesquisas recentes combinam biotecnologia de ponta e engenharia neural para reconstruir conexões interrompidas após traumas graves. Um dos destaques é o uso de proteínas polimerizadas, como a polilaminina desenvolvida no Brasil. A substância atua como uma espécie de “ponte biológica” no local da lesão. Ao ser aplicada na área afetada, cria um caminho físico que favorece a reconexão dos neurônios rompidos, permitindo que impulsos elétricos do cérebro voltem a alcançar regiões do corpo abaixo da cicatriz medular.
Além da regeneração do tecido nervoso, a tecnologia tem desempenhado papel fundamental no processo de reabilitação. Implantes de estimulação elétrica epidural vêm sendo utilizados em centros de pesquisa internacionais, como na Universidade de Louisville, nos Estados Unidos, e na EPFL, na Suíça. Nesses procedimentos, eletrodos são implantados na região da coluna para ativar circuitos nervosos que permanecem intactos abaixo da lesão. A estimulação controlada, associada a treinos intensivos, contribui para “reensinar” o corpo a executar movimentos.
Outra frente promissora envolve o uso de exoesqueletos robóticos controlados por sinais cerebrais ou musculares. Empresas como a Ekso Bionics desenvolvem equipamentos que auxiliam pacientes a ficar em pé e caminhar durante sessões de fisioterapia, estimulando a neuroplasticidade capacidade do sistema nervoso de reorganizar suas conexões.

Especialistas avaliam que a união entre regeneração biológica e tecnologia assistiva representa uma mudança de paradigma. Em vez de apenas compensar a perda funcional, as novas abordagens buscam restabelecer a comunicação entre cérebro e membros, transformando o pensamento em ação motora.
Embora ainda existam desafios clínicos, custos elevados e necessidade de ampliação dos estudos, os resultados iniciais indicam que a ciência está cada vez mais próxima de oferecer alternativas concretas para pacientes que convivem com a tetraplegia.








