A morte do atleta profissional de kickboxing Gabriel Pertusi Pérola de Araújo, de 27 anos, encontrada na noite de sexta-feira (16), em uma residência no bairro Jardim das Mangueiras, em Barra do Garças (MT), segue cercada de controvérsias. Inicialmente registrada pela polícia como uma possível autoexecução, a versão é contestada pela família, que sustenta a hipótese de homicídio.
A mãe da vítima, a sargento da Polícia Militar Heloísa Pérola, afirma não ter dúvidas de que o filho foi assassinado e que teria sido atraído para uma emboscada. Segundo ela, a desconfiança surgiu após a família ter acesso a áudios e vídeos relacionados ao momento em que Gabriel foi encontrado morto. Para Heloísa, a dinâmica dos fatos, a posição do corpo, a disposição da arma e sons captados na gravação levantam questionamentos que, em sua avaliação, afastam a hipótese de suicídio.
De acordo com o relato da mãe, Gabriel vinha recebendo ameaças desde o início da semana anterior à morte, após um desentendimento com um homem que teria vindo de Cuiabá para receber aulas de personal training. O conflito teria começado quando o atleta condicionou a continuidade das aulas ao pagamento de valores em aberto, o que teria motivado ameaças diretas.
Ainda segundo a família, o lutador buscou informações sobre o homem que o intimidava e teria sido alertado sobre um possível envolvimento dele com facção criminosa. Essas informações, conforme Heloísa, chegaram a ser repassadas à Polícia Militar da região.

Outro ponto destacado é a presença de um terceiro homem na residência no momento do ocorrido. Essa pessoa procurou a família posteriormente, afirmou não ter envolvimento no caso e apresentou áudios e vídeos que, segundo ele, comprovariam sua inocência. O material, no entanto, é alvo de questionamentos por parte da mãe, que aponta mudanças bruscas no conteúdo das conversas e no tom de voz registrados.
Em meio às acusações feitas pela mãe, Lucas Gabriel, que manteve um relacionamento profissional com a vítima no passado, nega qualquer envolvimento no caso. Ele afirma que foi aluno de Gabriel e que houve apenas um desentendimento anterior, já superado. Lucas ressalta que não é investigado oficialmente pela polícia e que o laudo técnico aponta para um disparo possivelmente acidental, interpretado como autoexecução.
Lucas informou ainda que solicitou espaço para se manifestar, alegando estar sofrendo perseguições e desgaste à sua imagem e à de sua família. Segundo ele, está sendo assistido por advogado, colaborou com as autoridades, foi ouvido pela polícia e reúne provas para demonstrar onde estava no momento do fato, afirmando que não se encontrava no local da ocorrência e que desconhece o que aconteceu dentro da residência.
O caso segue sob investigação das autoridades competentes, enquanto a família cobra aprofundamento das apurações para esclarecer as circunstâncias da morte do atleta.







