publicidade

publicidade

Banner Parecis SuperAgro 970x250px

publicidade

O custo da sobrevivência em Mato Grosso

WhatsApp Image 2026-02-26 at 08.58.56

Com custo médio de R$ 3.360 por mês, mais de 1,4 milhão de mato-grossenses enfrentam restrições de crédito

Cuiabá (MT), 26 de fevereiro de 2026 — Em meio a indicadores econômicos que apontam pleno emprego e crescimento impulsionado pelo agronegócio, a realidade enfrentada por muitas famílias em Cuiabá e em todo o Mato Grosso revela um cenário de aperto financeiro e endividamento crescente.

Dados do Mapa da Inadimplência da Serasa mostram que mais de 1,4 milhão de moradores do estado possuem restrições de crédito. O volume total das dívidas já ultrapassa R$ 11 bilhões, evidenciando um contraste entre o desempenho macroeconômico e a situação vivida dentro das casas mato-grossenses.

O peso do custo de vida

Mato Grosso ocupa a 10ª posição no ranking nacional de custo de vida, com despesa média mensal estimada em R$ 3.360 por pessoa. O comprometimento da renda está concentrado, principalmente, em gastos essenciais.

O orçamento médio mensal se divide da seguinte forma:

Supermercado: cerca de R$ 860 por mês.

Contas recorrentes: aproximadamente R$ 670 mensais com água, energia elétrica e internet — o maior valor do país nesse segmento.

Somados, alimentação e contas básicas consomem quase 60% do orçamento familiar, restando pouca margem para outras despesas.

Segundo o especialista em educação financeira Thiago Ramos, o endividamento atual está diretamente ligado à dificuldade de custear o essencial. “O consumidor tem enfrentado dificuldades para manter despesas básicas. Isso impacta o comércio, já que sobra muito pouco para consumo não essencial”, afirma.

Cartão de crédito lidera dívidas

O cartão de crédito segue como o principal instrumento de endividamento no estado, presente em cerca de 85% das famílias com débitos. No entanto, cresce também a chamada “inadimplência de sobrevivência”, quando contas básicas como água e luz entram em atraso.

Em municípios como Cuiabá, Rondonópolis e Sinop, as dívidas com serviços essenciais lideram os registros de atraso.

Perfil do inadimplente em Mato Grosso

Gênero: 53,3% são homens

Faixa etária: 26 a 60 anos representam 70,7% do total

Ticket médio da dívida: R$ 7,4 mil por pessoa

Tempo médio de atraso: 65 dias

Juros altos agravam cenário

A política monetária também contribui para o agravamento do quadro. Com a taxa Selic em 15% ao ano, o crédito bancário se tornou mais caro. Em janeiro de 2026, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 32,8% ao ano, o maior patamar em quase 20 anos.

Entre famílias que recebem até três salários mínimos, 38,9% possuem contas em atraso. Já entre famílias de alta renda, o índice cai para 14,9%. A ausência de reserva financeira para imprevistos — como despesas médicas ou manutenção da casa — leva muitos consumidores ao cheque especial ou ao parcelamento do cartão, modalidades com juros elevados.

Sinais de ajuste

Apesar do número elevado de endividados, houve uma leve redução de 0,9 ponto percentual na inadimplência no último mês. O dado indica que parte da população tem priorizado o pagamento de dívidas antigas, mesmo que isso signifique reduzir ainda mais o consumo.

O cenário aponta para um desafio estrutural: equilibrar crescimento econômico com condições reais de sobrevivência para as famílias. Enquanto os indicadores celebram avanços, a rotina de milhares de mato-grossenses segue marcada pelo esforço diário para manter as contas em dia.

About The Author

Compartilhe a Publicação