Operação atingiu imóveis, veículos e valores ligados ao núcleo financeiro do grupo.
Paulo Witer Farias Paelo, conhecido como “W.T.”, continuava exercendo influência sobre o Comando Vermelho mesmo após ser preso e levado para uma ala de segurança máxima da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá. Segundo a Polícia Civil, ele mantinha contato com integrantes da facção por meio de celulares e participava diretamente do controle financeiro da organização criminosa.
Entre novembro de 2025 e março de 2026, um mesmo chip atribuído ao investigado teria sido utilizado em sete aparelhos diferentes. As mensagens encontradas mostram cobranças de valores, orientações sobre planilhas e determinações relacionadas ao destino do dinheiro arrecadado pelo grupo.
W.T. é apontado como tesoureiro e uma das principais peças da estrutura financeira do Comando Vermelho em Mato Grosso. Ele foi preso em março de 2024, em Maceió, durante as investigações da Operação Apito Final, que apurou o uso do time de futebol amador “Amigos do W.T.” para movimentar e ocultar recursos ilícitos.
Mesmo detido, o investigado teria continuado acompanhando os chamados “fechamentos”, expressão usada para o recolhimento de dinheiro. Em uma das movimentações analisadas, os policiais identificaram referência ao congelamento de R$ 14 milhões.
As conversas também continham menções a “SS” e “Chapéu”, termos associados a Sandro Silva Rabelo, o Sandro Louco ou Sansão, e Renildo Silva Rios, o Chapa. Os dois são apontados como presidente e vice-presidente do Comando Vermelho no Estado.
A investigação indica ainda que W.T. não atuava apenas na área financeira. Em uma troca de mensagens, ele teria ordenado que Emerson Ferreira Lima, conhecido como “G.D.” ou “Gordão”, aplicasse uma punição a um integrante chamado de “Xereca”, após o homem supostamente sacar uma arma durante uma festa.
A penalidade consistiria em três meses sem consumir bebida alcoólica. Para a Polícia Civil, a determinação demonstra que W.T. também interferia nas regras disciplinares internas da facção.
Os celulares apreendidos continham ainda fotografias de armas, imóveis, selfies do próprio investigado e dados de localização relacionados ao patrimônio identificado durante as apurações.
As novas provas deram origem à Operação Replay, deflagrada nesta quinta-feira (30). A ação investiga uma estrutura formada por operadores externos, uso de contas de terceiros e aquisição de bens em nome de pessoas que não teriam capacidade financeira compatível.
Imóveis e veículos alcançados pelas decisões judiciais foram avaliados em R$ 17.287.600. Separadamente, a Justiça autorizou pedido de bloqueio financeiro de até R$ 15.324.000, relacionado à contabilidade encontrada pelos investigadores.
Os valores não representam uma única quantia recuperada, pois correspondem a medidas patrimoniais diferentes.
Entre os imóveis estão apartamentos de alto padrão em Itapema e Balneário Camboriú, uma casa em condomínio fechado na região de Camboriú, uma residência em Cuiabá e três terrenos. Somente as propriedades foram estimadas em aproximadamente R$ 16,68 milhões.
Quatro veículos, entre automóveis e motocicleta, também foram submetidos às medidas judiciais e avaliados em cerca de R$ 607,6 mil.
Além das restrições patrimoniais, a Justiça autorizou prisões preventivas, buscas, apreensão de dispositivos eletrônicos e acesso aos dados dos investigados. A Polícia Civil afirma que as medidas buscam interromper o funcionamento do núcleo financeiro e impedir que o patrimônio seja ocultado, transferido ou usado para reorganizar a facção.







