Ranalli recebe convite do Novo ao Senado e escancara disputa interna e falta de espaço no PL em Mato Grosso
O vereador por Cuiabá Rafael Ranalli (PL), um dos nomes mais fortes e em ascensão da direita bolsonarista em Mato Grosso, recebeu convite formal do Partido Novo para disputar uma vaga ao Senado nas eleições de 2026. O movimento não ocorre por acaso e expõe, de forma cada vez mais clara, o ambiente de disputa interna e a redução de espaço político dentro do Partido Liberal.
Policial federal, Ranalli aparece com destaque em pesquisas recentes e é visto nos bastidores como um “homem forte” da direita no estado, com base eleitoral consolidada, discurso ideológico alinhado ao bolsonarismo e forte presença nas redes sociais. Justamente por isso, o convite do Novo surge como alternativa estratégica diante da superlotação de pré-candidaturas competitivas dentro do PL.
Nos bastidores, lideranças do Novo avaliam que, com duas vagas ao Senado em disputa, a direita precisa evitar a pulverização de votos entre candidaturas que disputem o mesmo eleitorado. Ranalli, que já defendeu publicamente uma “chapa pura” ao Senado, é visto como nome capaz de unificar parte do eleitor conservador e bolsonarista em Mato Grosso.
A articulação já chegou ao conhecimento do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que teria tratado do assunto com o presidente estadual da sigla, Ananias Filho. Segundo fontes próximas, Ranalli só aceitaria avançar nas conversas caso haja pedido formal e anuência do próprio PL, o que evidencia o peso político que o vereador alcançou dentro da legenda.
Ananias, inclusive, já classificou Ranalli como “camisa 9” do partido, destacando que ele está pronto para disputar qualquer cargo majoritário, incluindo o Senado. Ainda assim, o cenário interno do PL é de forte ebulição. A possível saída de nomes relevantes, somada à chegada e ao fortalecimento de outras lideranças competitivas, tem criado um funil político que limita o espaço para projetos individuais.
Esse contexto não é isolado. Em outros estados, o Novo tem sido utilizado como peça de rearranjo do tabuleiro da direita, absorvendo quadros fortes que encontram dificuldades de viabilização dentro do PL. Em Mato Grosso, o convite a Ranalli é lido como sinal claro de que a disputa interna liberal pode provocar uma debandada estratégica de nomes com densidade eleitoral.
Caso avance, a possível migração de Ranalli representaria não apenas uma perda simbólica para o PL, mas também um alerta sobre a necessidade de reorganização interna. Para o Novo, por outro lado, a aposta seria clara: ancorar sua presença nacional em nomes com voto, discurso e alinhamento ideológico definidos.
O xadrez político de 2026 já começou, e o movimento em torno de Rafael Ranalli revela que, mais do que alianças, o que está em jogo é espaço e sobrevivência dentro da direita mato-grossense.








