publicidade

publicidade

Relatório aponta relações amorosas e sexuais entre integrantes de projeto religioso e presos da PCE

WhatsApp Image 2026-09-15 at 09.35.24

Um relatório da Polícia Civil, produzido no âmbito da Operação Fariseus, aponta que integrantes do projeto religioso Resgatando Vidas mantinham relações pessoais, amorosas e sexuais com presos da Penitenciária Central do Estado (PCE), em Cuiabá, e faccionados que estavam em liberdade.

As mulheres faziam parte de um grupo denominado “As Faixa Rosa Evangélica”. Entre as integrantes citadas estão Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araujo dos Anjos, conhecida como “Mary/Maryyy”, Lais Barbosa Lopes e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, a “Lolo”.

De acordo com a investigação, as conversas extraídas dos aparelhos celulares e das contas das investigadas revelariam, além dos relacionamentos, o acesso a informações internas da unidade prisional, recebimento de valores e benefícios e a intermediação de contatos e favores.

Em uma das mensagens, registrada em 2 de fevereiro de 2026, Wiara apresentou às demais participantes o que chamou de “lista da PCE”, formada pelas iniciais “L, P, R e T”. Conforme o relatório, as letras seriam compatíveis com Leonardo de Jesus, conhecido como “Buxudo”; Pedro Antônio dos Santos, o “Pedrinho” ou “Cotonete”; Renildo da Silva Rios; e Teluan.

Na mesma data, Karolina fez uma referência de conotação sexual a Pedrinho ao escrever que seria ela quem “sentaria na cabeça do cotonete”.

Outros diálogos mostram as mulheres comentando abertamente os supostos namoros. Em novembro de 2025, Karolina perguntou a Wiara sobre “Pe” e “Re”, referências que, segundo a Polícia Civil, seriam a Pedro Antônio e Renildo. Em seguida, também foi mencionado Luiz Fagner Gomes dos Santos, conhecido como “Zóio”.

Em outra conversa, Wiara afirmou que pretendia visitar diferentes detentos para evitar desentendimentos entre eles. “Vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro”, escreveu. Para os investigadores, a mensagem evidencia a frequência das visitas e os vínculos pessoais mantidos com vários presos.

O relatório também destaca um diálogo no qual Wiara manifesta o desejo de entrar no raio 6 da penitenciária. Rhavenna afirma que o objetivo seria encontrar “Buxudo”, e Wiara responde: “Quero os dois”.

Em maio de 2026, uma nova troca de mensagens menciona um possível encontro com Renildo. “Terça vai ser toma toma”, escreveu Wiara. Para a Polícia Civil, o conteúdo demonstra que as visitas não se limitavam à prestação de assistência religiosa.

“O teor possui evidente conotação sexual e reforça que as visitas mantidas por integrantes do grupo com determinados presos ultrapassavam a assistência espiritual”, afirma trecho do documento.

Apontada como principal ligação do grupo com a cúpula do Comando Vermelho, Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida teria mantido um relacionamento com Renildo, identificado pela investigação como “conselheiro final” da facção. Ela também teria se relacionado anteriormente com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”.

Em setembro, o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) denunciou Rhavenna, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves, Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, Rhuan Barcelos da Conceição e Renildo Silva Rios pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Wiara, Karolina, Jéssi e Lais foram indiciadas pela Polícia Civil por falso testemunho, mas não foram incluídas na denúncia por organização criminosa. O Ministério Público avalia oferecer às quatro um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) em um procedimento separado.

About The Author

Compartilhe a Publicação