A Polícia Federal identificou R$ 48,4 milhões em créditos bancários destinados a sete conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), em um período no qual o Portal da Transparência informava R$ 2,2 milhões em remunerações. Os dados constam na decisão do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decretou a prisão preventiva do presidente Sérgio Ricardo de Almeida nesta quinta-feira (29).
Segundo os investigadores, parte dos recursos foi paga fora da folha regular, mediante ordens bancárias avulsas e canais utilizados para pagamentos a fornecedores. O Ministério Público Federal (MPF) classificou o mecanismo como uma folha paralela.
No caso do presidente, foram identificados R$ 15.442.211,65 em créditos em menos de dez meses de 2025. Para o mesmo intervalo, o portal apresentava R$ 288.501,05. Do montante recebido, R$ 4,35 milhões passaram por canais normalmente destinados a fornecedores.
A decisão também cita créditos de R$ 10,6 milhões ao corregedor-geral Guilherme Antônio Maluf, R$ 8,87 milhões a José Carlos Novelli e R$ 6,61 milhões a Valter Albano da Silva.
Entre os investigados que não integram o grupo de conselheiros, o levantamento apontou R$ 32,3 milhões ao consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia e R$ 15,9 milhões ao assistente jurídico Gustavo Fernandes da Silva. Os dois tiveram prisão preventiva decretada.
O MPF questiona a base legal dos pagamentos. Conforme o documento judicial, os valores ultrapassariam os limites previstos para verbas dessa natureza e não teriam sido acompanhados da correspondente divulgação pública. Os montantes são créditos sob investigação e não representam valores integralmente comprovados como desvio.
Para acompanhar essas operações, Og Fernandes determinou que o TCE-MT encaminhe trimestralmente à PF todas as ordens bancárias avulsas emitidas a pessoas físicas, com as respectivas justificativas e os atos que autorizaram os pagamentos.







