Imagens de uma câmera de segurança registraram os últimos momentos da empresária Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, antes de ela ser assassinada a golpes de faca pelo próprio marido, Daniel Bennemann Frasson, em junho de 2025, em Lucas do Rio Verde, a 360 quilômetros de Cuiabá. Durante o ataque, a filha do casal, que tinha 9 anos na época, também foi ferida e sobreviveu.
A gravação, divulgada pelo advogado Rodrigo Pouso Miranda, que representa a família de Gleici, mostra momentos de tensão dentro da residência. O casal aparece discutindo na presença da criança. Entre os assuntos mencionados durante a conversa estão uma botina, uma antena Starlink e uma dívida de R$ 2,2 mil.
Em determinado momento, Gleici pede que o marido pare com a situação e afirma: “Dani, pelo amor de Deus” e “já chega de trauma”.
As imagens também mostram uma mensagem em que a empresária teria alertado a irmã de Daniel sobre o risco de ser morta a facadas. Gleici chegou a pedir que as facas fossem escondidas.
ATAQUE DURANTE A MADRUGADA
Já durante a madrugada, quando Gleici e a filha estavam dormindo, Daniel aparece andando pela residência. Em seguida, ele vai até a cozinha, pega uma faca e segue para o quarto onde a empresária estava.
Pouco depois, o homem deixa o cômodo com os braços ensanguentados. Ele passa pela sala e vai até a área externa da residência. Na sequência, retorna para dentro da casa e entra no quarto da filha.
A menina também é atacada. Durante a agressão, ela grita repetidamente: “Pai, pai”.
Após o segundo ataque, Daniel retorna à sala coberto de sangue. Uma mulher, apontada como irmã dele, aparece e questiona o que havia acontecido. Familiares retiram a criança do quarto e a levam para atendimento médico.
A menina ficou internada por vários dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas sobreviveu.
LAUDO E DISPUTA PELO PATRIMÔNIO
Daniel foi preso em flagrante após o crime. Posteriormente, um laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec-MT) apontou que ele poderia ser considerado inimputável, condição relacionada à ausência de plena capacidade de compreender o caráter ilícito do ato no momento do crime.
Após o assassinato, familiares de Daniel conseguiram sua interdição em outra comarca. Posteriormente, em nome dele, foi apresentado um pedido no inventário de Gleici para que ele tivesse direito a metade dos bens e dos valores provenientes dos aluguéis deixados pela empresária.
A família da vítima contesta essa possibilidade e sustenta que o assassinato teria sido planejado com o objetivo de permitir que Daniel se apoderasse do patrimônio da esposa.
A questão sobre a capacidade mental de Daniel e os efeitos jurídicos dessa condição ainda estão sob análise da Justiça.







