O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), propôs utilizar mão de obra prisional para remover pichações com siglas de facções criminosas dos muros da capital. A iniciativa seria realizada por meio de uma parceria entre a Prefeitura e o Governo de Mato Grosso, com participação da Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb).
A declaração foi feita nesta sexta-feira (23), durante manifestação de apoio à proposta do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que encaminhou à Assembleia Legislativa um projeto de lei para classificar organizações criminosas que atuam no Estado como terroristas.
Abilio afirmou que a administração municipal está disposta a colaborar com as ações de combate às facções, inclusive na recuperação de espaços públicos e privados que apresentam inscrições associadas a esses grupos.
“Precisamos usar a mão de obra do preso, mão de obra prisional, para pintar todos esses muros aí que têm siglas de facção”, declarou o prefeito, ao sugerir a participação da Limpurb na execução dos serviços.
Segundo ele, a proposta prevê a mobilização de trabalhadores do sistema prisional para cobrir as pichações e devolver aos imóveis uma aparência de normalidade. A iniciativa também poderia beneficiar moradores que temem sofrer represálias caso removam, por conta própria, símbolos de organizações criminosas.
O prefeito argumentou que a presença dessas inscrições pode representar uma forma de demonstração de poder territorial pelas facções. Para ele, a recuperação dos muros deve ser encarada como parte das ações de segurança pública.
Abilio também manifestou apoio ao enquadramento de facções como organizações narcoterroristas. Na avaliação do gestor, o enfrentamento ao crime organizado precisa envolver diferentes frentes, incluindo medidas de repressão e ações voltadas à recuperação dos espaços urbanos.
A proposta de utilização de mão de obra prisional ainda depende de articulação entre os órgãos envolvidos. Até o momento, não foi anunciado um acordo formal nem uma data para o início dos trabalhos.
Projeto estadual
A iniciativa do prefeito ocorre após o envio, na quinta-feira (22), de uma proposta do governador Otaviano Pivetta à Assembleia Legislativa de Mato Grosso. O texto busca estabelecer o reconhecimento de facções criminosas como organizações terroristas no âmbito estadual.
O projeto prevê inicialmente o enquadramento de duas organizações, com possibilidade de inclusão de outras posteriormente. A matéria ainda precisa ser analisada e votada pelos deputados estaduais.
Abilio também mencionou medidas municipais voltadas a estabelecimentos comerciais que tenham ligação comprovada com facções, incluindo a possibilidade de cassação de alvarás. A intenção, segundo a proposta apresentada, é atingir estruturas econômicas utilizadas por organizações criminosas.







